Publicado em: 25/08/2026
Hospital Evangélico de Cachoeiro inicia campanha Setembro Verde
Recusa por doação de órgãos aumenta no ES
O Hospital Evangélico de Cachoeiro (HECI) inicia a campanha "Setembro Verde" que visa levar conscientização da importância à doação de órgãos. De janeiro a agosto, 11 órgãos/tecidos foram captados, sendo 10 córneas e uma doação múltipla de órgãos. No mesmo período do ano passado, foram 24, sendo 22 córneas e duas múltiplas de órgãos. A redução de captação preocupa os membros da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT/HECI), formada por uma equipe multidisciplinar.
A esperança por uma doação, no entanto, esbarra em um cenário desafiador. Segundo dados da Secretaria da Saúde do Espírito Santo, houve um aumento no número de famílias que se recusam a autorizar o procedimento no primeiro semestre de 2026, as negativas representaram 55,9% do total de entrevistas realizadas. Aqui, no HECI, segundo a coordenadora da CIHDOTT, Larissa de Oliveira, somente este mês houve três recusas de famílias.
A participação da família é fundamental nesse processo. “Mesmo enfrentando um momento de perda e dor, os familiares conseguem transformar a tristeza em um gesto de amor e solidariedade, permitindo que outras vidas sejam salvas com a doação de órgãos,” ressalta a enfermeira.
Programação
Com o objetivo de intensificar a conscientização o HECI contará com uma programação diversificada durante todo o mês de setembro. No HECI, a conscientização inclui ação educativa com pacientes, familiares e colaboradores, distribuição de material educativo sobre doação de órgãos, divulgação na rede social do hospital e participação em entrevistas com a imprensa local.
Referência em captação de córneas
O HECI é referência em captação de córneas no sul do estado, em 2025 foram captados 28 órgãos. O processo de doação de órgãos é iniciado pela CIHDOTT do HECI, que atua desde a identificação do potencial doador, acolhimento e abordagem aos familiares, até a captação dos órgãos realizada por uma equipe especializada.
A doação de órgãos é importante para aqueles que estão na fila de espera, possibilitando a continuidade da vida. A doação é um ato de amor. Seja um doador de órgãos. Comunique sua família.
Larissa acrescenta, “todos os procedimentos são realizados com total segurança para garantir que os órgãos cheguem a tempo ao paciente que será transplantado”.
Saiba como se tornar um doador
Para ser um doador de órgãos, é preciso avisar os familiares próximos como pais, filhos, irmãos e cônjuge. A legislação brasileira exige o consentimento da família para a doação de órgãos, mesmo que a pessoa tenha expressado o desejo de doar.
A doação só pode ocorrer em casos de morte encefálica ou parada cardiorrespiratória, com a autorização de um familiar.
Quem pode doar?
Há dois tipos de doadores, os falecidos e os vivos. Os primeiros são pacientes que foram diagnosticados em morte encefálica, o que ocorre normalmente em decorrência de traumatismos/doenças neurológicas graves. Após a confirmação da morte e havendo autorização familiar é realizada a doação.
Além disso, qualquer pessoa saudável pode ser doadora em vida de um dos seus rins, parte do pulmão ou parte do fígado para um familiar próximo, de até 4ª grau consanguíneo. No entanto, quando a doação for para uma pessoa não aparentada é necessário autorização judicial.
Quais órgãos e tecidos podem ser doados?
De um único doador é possível obter os rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas, intestino, córneas, valvas cardíacas, pele, ossos e tendões. Com isso, inúmeras pessoas podem ser beneficiadas com os órgãos e tecidos provenientes de um mesmo doador.
Como fica o corpo após a doação?
Os órgãos doados são removidos cirurgicamente e o corpo é cuidadosamente reconstituído, preservando sua aparência. Isso permite que o velório ocorra de forma digna, sem deformidades visíveis.
Quem recebe os órgãos doados?
Os órgãos doados são destinados a pacientes que necessitam de transplante e estão aguardando em uma lista única de espera, fiscalizada pelo Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde (SNT/MS) e Centrais Estaduais de Transplantes.
A seleção de um paciente que aguarda por um transplante ocorre com base na gravidade de sua doença, tempo de espera em lista, tipo sanguíneo, compatibilidade genética e anatômica com o órgão doado e outras informações médicas importantes.
Fonte: Sesa