Publicado em: 06/08/2026

[Artigo] Calor Extremo - Grande Problema de Saúde Pública

Segundo o Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, a onda de calor que se espalhou pela Europa no início deste verão, tem causado centenas de mortes. Em sua publicação no “X”, ele chega a afirmar que mais de 1.300 mortes “foram registradas desde o dia 21 de junho, associadas às altas temperaturas”. Tal problema se agrava porque a temperatura tem registrado recordes por todo o continente europeu, chegando a alcançar 42,0º C. em vários países.

No entanto, o número de óbitos pode ser ainda maior do que o anunciado, pois o próprio Ministério da Saúde da França informou que apenas nesse pico de calor extremo foram registradas mais de 1mil mortes além do que era esperado naquele país. As pessoas com mais de 65 anos foram as mais afetadas, devido à incidência de doenças crônicas e ao risco de seu agravamento, ao uso de medicamentos que dificultam a adequação ao calor e ao aumento dos casos de desidratação, já que o idoso tem menor percepção de sede.

Esse problema de estresse térmico também é chamado de assassino silencioso. Tedros menciona que, além dos idosos ele pode atingir adicionalmente aos mais jovens, pois “as casas, os locais de trabalho e as escolas da Europa não foram projetadas para essas temperaturas”. Então, para minimizar as ocorrências que afetam à saúde, a OMS orienta para a necessidade de hidratação permanente durante o período de calor extremo, além de outras medidas preventivas.

Neste ano, além das mudanças climáticas provocadas pelo homem - que tem acarretado inúmeros desastres por todo o planeta, vitimando um contingente enorme de pessoas - teremos novamente os efeitos do fenômeno climático El Niño, em razão do aquecimento das águas do Pacífico Equatorial. Pela previsão dos cientistas, o mundo já começa a sentir os efeitos de um “SUPER EL NIÑO”, com ondas de calor extremo e de chuvas intensas. 

A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de que, no Brasil, os efeitos do El Niño começarão a ser sentidos no segundo semestre, estendendo-se até o próximo ano. As consequências serão de calor intenso na região Sudeste e seca na região Nordeste. No Centro-Oeste o Inmet alerta para um grande estresse térmico com queimadas e incêndios. Tudo isso afeta diretamente a saúde da população, e os governos, em todos os níveis, têm que estar preparados.

 Diante desse quadro, o Ministério da Saúde (MS) lançou, no último dia 30 de junho, um conjunto de ações com o objetivo de diminuir os efeitos desse fenômeno. A intenção é aumentar a capacidade de atendimento das equipes do Sistema Único de Saúde (SUS), para situação de emergência e de resposta imediata às regiões afetadas.  As medidas visam à proteção especial aos idosos, gestantes, crianças, pessoas doentes ou acamadas e trabalhadores expostos ao sol e àqueles em situação de rua.

A realidade é de que diante de um quadro tão desolador conforme o que se avizinha, deveríamos estar realmente preparados.  Entretanto, sabemos que a política de saúde no Brasil também depende da situação da nossa economia e do planejamento estrutural do país. Neste aspecto, estamos bastante atrasados! Infelizmente, a maioria dos nossos políticos não pensa na estruturação do país, pois mal termina uma eleição eles já começam a se preocupar com a próxima, pensando na reeleição.


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