• Tecnologia pode trazer problemas aos olhos

    Tecnologia pode trazer problemas aos olhos

    Desde 1930, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia guarda o dia 7 de maio para celebrar o Dia do Oftalmologista. Porém a data somente entrou para o calendário oficial de comemorações dos profissionais da saúde em 1968, quando o médico oftalmologista Antônio Salim Curiati, que na época era deputado estadual pelo estado de São Paulo criou a lei sendo aceita pela Casa de Leis.

    Esse tipo de especialidade cuida de um dos mais importantes sentidos do ser humano. E também o mais negligenciado uma vez que com o advento das tecnologias, quem tem sofrido muito com isso é justamente a visão. Sejam eles castanhos, azuis, cinzas, ficar horas a fio com os olhos fixos em celulares e tablets tem provocado um aumento nos casos de miopia em crianças. Em países do Oriente, por exemplo esse percentual chega a ser impressionante tendo em vista o uso constante dos eletrônicos.

    De acordo com o médico coordenador do Instituto dos Olhos do Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (HECI) Lindolfo Gandra, tem-se observado o aumento da incidência de miopia em crianças que por algum fator não era propensa a terem miopia e nas que já usam óculos, o retorno para reparação de grau tem sido cada vez mais cedo. “O uso excessivo de aparelhos eletrônicos causa um cansaço na vista levando a uma falsa miopia. Isso pode levar ao comprometimento do rendimento escolar e até mesmo a uma miopia real”, esclarece.

    Com a vida moderna, é muito difícil abster as crianças do contato com esses aparelhos. A farmacêutica Analucia Borges, mãe de Ana Beatriz de 14 anos e João Pedro de 11, ambos diagnosticados com miopia que o diga. “Eles usam smartphones e tablets quase o tempo tendo uma vez que a maioria dos livros didáticos deles são eletrônicos. Regulamos o tempo, colocamos para usar no final de semana, mas às vezes é complicado”, disse. Ela conta de apesar de não ter observado queda no rendimento escolar deles, os dois reclamavam de dores frequentemente. “A Ana Beatriz ainda dizia que não enxergava muito bem e como costumo leva-los ao oftalmologista anualmente, ano passado foi constatado a miopia. Desde que colocamos óculos, houve um aumento na qualidade de vida e eles não mais reclamam de nada”, esclarece.

    Porque isso acontece

    Segundo a medica oftalmologista do Instituto dos Olhos Viviane Bernabé Cardoso, no olho, para a realização do “foco”, responsável pela visão de perto, dá-se a contração de um músculo, um processo chamado de acomodação.  “Com o estímulo contínuo da acomodação, no uso desses dispositivos móveis, as crianças podem desenvolver fadiga visual, cefaleia, olho seco.”, explica. Ela dá algumas dicas a alguns sinais que possam indicar o aparecimento da doença, como: frequente esfregar dos olhos, piscar excessivo; inclinação da cabeça ao ler ou assistir TV; cefaleia;dor nos olhos;fadiga ocular e queixa de visão turva ou dupla. “Se a criança apresentar algum desses sinais, recomenda-se procurar um profissional especializado. Lembrando que, segundo orientação da sociedade brasileira de oftalmopediatria, a visita ao oftalmologista deve ser semestral nos primeiros 2 anos de vida e a partir de então, as visitas devem ser anuais”, esclarece a médica.

    Limitar o acesso aos eletrônicos

    Os profissionais e até mesmo os pais concordam que essa abordagem não funciona nos dias de hoje. A tecnologia faz parte de nosso cotidiano e em alguns casos estão presentes até mesmo em nosso material didático, como é o caso dos irmãos Ana Beatriz e João Pedro. A tendência é que o uso desses aparelhos fica cada vez mais inserido em nossas vidas, tornando essas patologias mais e mais frequentes. Então, o que fazer para evita-las ou ao menos ameniza-las? Ambos os oftalmologistas consultados concordam que limitar o tempo que as crianças passam na frente de smartphones, tablets e computadores é uma boa ideia. Além disso, a Dra. Viviane recomenda: manter os dispositivos móveis a pelo menos 30 cm de distância dos olhos, usar o computador numa inclinação de 10-20 graus abaixo do nível dos olhos, com a luminosidade ajustada pois o excesso faz diminuir a frequência do piscar. “E nunca esquecer de piscar, pois se acontecer de haver secura nos olhos, será necessário fazer uso de lubrificante”, disse.A melhor dica que tanto ela quanto o Dr. Lindolfo têm para as crianças, mesmo as da era digital é brincar ao ar livre. É uma atividade que nunca sai de moda e só traz benefícios.