• A família do paciente oncológico e a Psicologia

    A família do paciente oncológico e a Psicologia

    Psicóloga do HECI mostra a importância de auxílio a familiares do paciente no tratamento do câncer

    Em 2017, a então residente em psicologia do Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim Aline Barrada nos explicou as nuances de como o comportamento da família influenciam no tratamento em busca da cura e qualidade de vida do paciente com câncer. Desta vez, a psicóloga do setor de oncologia do Hospital Ana Arlete Saltori nos mostra o ponto de vista das pessoas que rodeiam o paciente. Como é para eles receber o diagnóstico da doença de seu parente querido e como eles lidam como isso? Confiram:

    HECI: Para a psicologia, o que se entende por família?

    Ana Arlete: É na família que vivemos e incorporamos experiências, expectativas, sentimentos e representações. Diversos momentos são compartilhados com os familiares, bons momentos e momentos de adversidades. Em algumas situações família não se constitui de pai e mãe, esposo e esposa.  Com a necessidade de trabalho, alguns parentes podem estar distantes outros mais próximos, o importante é ter algum membro da família como referência no cuidado. Vale ressaltar, que algumas pessoas estabelecem laços afetivos que acabam por constituir famílias de afeto. O importante é poder ter a presença do outro para compartilhar este momento.

    HECI: Algumas se unem nas situações mais difíceis, não é verdade?

    Ana Arlete: No que tange aos momentos de dificuldades a pessoa vivencia com seus parentes queridos diversas situações dentre elas o adoecimento. Quando um membro da família surge com algum sintoma, mobiliza todos os demais membros do grupo. O tempo de investigação, exames e consultas envolve todos, em um esforço coletivo, para que tudo possa ter um desfecho favorável.

    HECI: Como é, em geral, a reação da família diante da descoberta do câncer de um parente?

    Ana Arlete: No momento do diagnóstico de câncer, a família sofre um abalo emocional significativo. O estigma negativo da doença tende a produzir sensações pessimistas, que em algumas situações, provocam na família desespero e profunda angústia pelo futuro.

    HECI: Como é possível auxiliar a família neste processo?

    Ana Arlete: É importante o acompanhamento psicológico desde o momento da descoberta do diagnóstico para auxiliar os membros familiares neste percurso que se inicia e durante todo o tratamento. Os familiares de referência do paciente, com auxílio da psicologia, gradativamente assimilam a realidade e se dispõe a agir unidos com o objetivo de promover o bem-estar físico e psíquico do paciente.  É um momento de dificuldade, porém, com união, apoio e compartilhamento de responsabilidades a família se recompõe e segue no tratamento. Vale ressaltar, que quanto mais precoce a intervenção com as famílias maior a probabilidade da ressignificação desta fase reduzindo a ansiedade e a angústia.

    HECI: Qual a importância de se tratar também a família do ponto de vista psicológico?

    Ana Arlete: A literatura científica aponta que a base familiar é de fundamental importância para a recuperação do doente, em outras as patologias crônicas, mas principalmente no câncer. Implicar-se efetivamente nos cuidados, acompanhar o familiar nas consultas, buscar informações com o médico sobre o curso do tratamento, demonstrar afeto são atitudes que colaboram para o bem-estar psíquico do paciente oncológico. Neste momento ter um núcleo familiar afetivo e envolvido é importante para que o paciente tenha um ambiente favorável a manutenção do processo de recuperação. A família é o que sustenta o ser humano, daí sua importância em todos as fases da existência.